Últimas Postagens





         O Grupo Urucongo de Artes é uma articulação de jovens da comunidade do Sítio Chico Gomes na zona rural do Município de Crato/CE, que visa a realização de atividades artísticas, culturais, de geração de emprego e renda, etc. como estratégia de combater a marginalização, êxodo, ociosidade e melhoria das condições de vida da juventude daquela comunidade, que fica localizado no sopé da Chapada do Araripe.
 Esta articulação de jovens iniciou em 2001 com a fundação da Quadrilha “Coisas do Meu Sertão”; movimento que através da dança junina provocou a discussão de diversos temas na comunidade e na região do cariri, como o espetáculo temático, “caldeirão da santa cruz”; “casamento de negros no arraiá quilombola”; “sertão sustentável”, dentre outros.
Tendo em vista o alto índice de desemprego na comunidade e a exploração da mão de obra d@s jovens surgiu como demanda a criação de um grupo que lutasse pelo desenvolvimento da cidadania de seus membros e da localidade. Visando o protagonismo juvenil e o desenvolvimento local sustentável valorizando o saber tradicional e as manifestações artístico culturais da comunidade , nasce em 2006 o GRUPO URUCONGO DE ARTES.
Através das parcerias do grupo foram viabilizadas oficinas de construção de instrumentos musicais, biojóias, ritmos musicais, etc.
Hoje os jovens do Grupo Urucongo constroem seus próprios instrumentos e viabilizam capacitações para outros jovens como a de biojóias realizada no sindicato dos trabalhadores rurais de Caririaçu, confecção de instrumentos musicais, na escola de ensino fundamental Rosa Ferreira, de teatro, como nas comunidades baixa do maracujá em Crato, Cacimbas em jardim, Arajara em Barbalha, dentre outras; além de criar, ensaiar e apresentar espetáculos de danças e de teatro de rua como o espetáculo se num trápaiar meus prano que foi apoiado pela secretaria de recursos hídricos do estado e levado para diversas comunidades da região.
   O grupo valoriza as manifestações tradicionais e já possui um espetáculo de dança intitulado “tomaraver”, que envolve várias danças tradicionais como o xaxado, o maculelê, etc. Agora ensaia um espetáculo só com dança do coco.

Email

Telefone

Facebook

Grupo Urucongo de Artes (avaliação e planejamento)

No dia 12/01/2013 (doze de janeiro de dois mil e treze), o Grupo Urucongo de Artes se reuniu no terreiro da casa de Dona Rina, para avaliar a caminhada no período até 2012 e planejar as ações para 2013.
A reunião teve inicio com uma mística conduzida por dona Peinha, meisinheira e integrante do Grupo, que expressando o catolicismo popular pediu a proteção divina para que as atividades do grupo possam ser produtivas e a serviço do bem. Em seguida Manoel Leandro rememorou a última avaliação e planejamento realizado no final de 2011, destacando para significativos avanços, mas ainda muitos desafios, depois foi iniciada uma roda de conversa onde a pauta foi os avanços e desafios do grupo.
Maria aparecida falou da importância do planejamento e o cumprimento do mesmo, “é uma forma de organização importante.” Rael e Dona Rina destacam a importância do envolvimento de cada membro, pois segundo eles alguns deixaram um pouco a desejar. Roseli fala que deve haver mais interação por que, segundo ela, está como se houvesse dois grupos: um o dos membros mais antigos e outro o dos mais novos, “os que chegaram agora precisam conhecer a história do grupo e os objetivos.” Ivonildo destaca como ponto negativo a participação em eventos mobilizados de última hora, segundo ele impossibilita que todos os membros do grupo participem afetando um pouco a qualidade do trabalho e autoconfiança do grupo.  Anderson diz que ainda há uma centralização de responsabilidade sobre Manoel e fala que deve-se atribuir responsabilidades à todos do grupo. Edilânia ressalta como desafio a superação de conflitos dentro do próprio grupo enfatizando o que havia sido citado por Roseli. A na Cristina fala que tivemos muitos pontos positivos e destaca a premiação do Odair Firmino de Solidariedade, a credibilidade e a visibilidade adquirida pelo grupo em dois mil e dose, ressalta como positivo o trabalho com turismo comunitário, trilhas rapel, dentre outros e avalia ainda que os mais antigos do Grupo devem empenhar-se em ajudar os novatos para que o Urucongo possa ter uma certa unidade e que o grupo de dança teve uma caída em 2012 reforçando a importância de focar um pouco nesse grupo.  Manoel ressalta que o Urucongo se tornou uma referência de organização de juventude e por isso atraiu muito grupo para o Chico Gomes e aponta como desafio, a luta pela terra, pela preservação do meio ambiente, a produção de artesanatos, conclusão da casa de sementes, organização da mandala e rádio difusora e destacou ainda que há um enorme potencial para a geração de renda na comunidade e que é importante reforçar o trabalho com as meisinheiras e retomar o trabalho com o teatro que fortaleceu muito o Grupo. Sandra Albano falou que é também necessário fortalecer a identidade do Urucongo citando a participação das meisinheiras na feira mística, “elas não levaram a identidade Urucongo para a feira.”
Após as exposições foi sugerido por Manoel que se pensasse em atividades que pudessem ajudar a superar as dificuldades e que fortalecesse ainda mais o trabalho do Grupo de Artes, então o coletivo propôs o seguinte:
1. Realização do primeiro encontro da juventude Urucongo a ser realizado nos dias 26 e 27 de fevereiro.
2. Curso de educação ambiental, condução de trilhas e rapel, (para tal deve-se buscar o apoio do ICMbio).
3. Disponibilização de uma bolsa para alguém, que deve ser selecionado, para cuidar diariamente da mandala.
4. Realização de intercâmbio para conhecer comunidades referência em turismo comunitário e agroecologia.
5. Realização de um minicurso de teatro do oprimido e Balada Coco que devem ser realizados em Março.
6.  Fortalecer o trabalho com as meisinheiras, fazendo formações e concorrer no edital culturas populares.
7.  Realização Mensal de mutirões, o primeiro deve acontecer dia 19/01/2013, para cuidados com a mandala.
8. Fortalecer o trabalho com artesanato e estêncil.
9. Melhorar a participação em espaços políticos.
10. Voltar a se reunir no meio do ano para avaliar e planejar novamente.

Envolvido pelo conhecimento popular expressado através da oração no início do encontro Manoel agradeceu a participação de tod@s e Roseli resaltou a importância do envolvimento de cada um para que se possa cumprir o planejado; então sob a sombra acolhedora da s azeitonas foi desfeita a roda finalizando a atividade de planejamento e avaliação do Grupo Urucongo de Artes.
 



Os grupos de tradições culturais da região do Cariri têm sido forçados a olharem apenas para cachês, embora tenham, muitas vezes, feito apresentações voluntárias. Um dos grupos que mais expõem a cultura Caririense, são os Irmãos Anicetos; que através da musicalidade, herança dos ancestrais, retratam o ambiente rural, exemplos, “o casamento da Acauã com o Gavião, Ana, o Maribondo dentre outras, que encantam o público que os vêem. Encantado também ficou eu que a primeira vez que os vi fiquei de cabelos arrepiados, Algum tempo depois entendi porquê e mais algum tempo algumas questões passaram a me incomodar e aqui compartilho:
Onde estão hoje os irmãos Anicetos? Segundo disse um dos mestres, que mora em um dos bairros mais populosos da cidade do Crato, “as últimas vezes que plantamos nossas roças, plantamos de meia, em terra que não é nossa, por que não temos terra para plantar”. Seria então os Anicetos, grande expoente da nossa cultura, também um grupo de sem terra? Nunca vi um desses pseudo defensores da cultura popular fazerem tal reflexão, talvez na França ou em um desses países Europeus, onde o grupo apresentou, alguém tenha expressado esse absurdo em uma língua que os membros não entendem. O próprio mestre relatou, ainda, que a maioria das músicas foram criadas pelos seus ancestrais, na roça, observando a natureza; e as peças que ele mesmo criou seguiu o mesmo processo.Estaria então, ameaçado a criatividade dos Anicetos? Ou a musicalidade deve expressar a época que se tinha terra para produzir e o ambiente para estimular o processo de criação? Ou seja duzentos anos atrás. E essas pessoas e entidades promotoras de eventos, estão preocupadas em garantirem os processos criativos dos grupos ou apenas perpetuar uma cultura de sem terra? Não percebem que a maioria das terreiradas são em quintais apertados, locais improvisados, porque não há terra onde se possa fazer um local digno de uma terreirada?
Temos assistido ultimamente, a espetacularização da cultura popular que chega a ser quase o mesmo que o uniformismo vazio da cultura de massa. Valorizar a cultura não é apenas levar um grupo à praça, ou assistir um grupo na praça, ou tirar foto com um mestre e postar no facebook, ou num site, nem tão pouco é, assegurar um simples cachê de quinhentos reais.
Quero ver os grupos da tradição, pois os demais não são diferentes dos Irmãos, com cacetes e ganzás, com facões, zabumbas, caixas, pratos e maracás,Mateus e Jaraguás,se reunirem para virem à praça reivindicarem seu pedaço de chão.